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Remédio à base de mama-cadela pode ajudar pessoas com vitiligo.

Portadores da doença sofrem preconceito devido às manchas brancas.

Planta do cerrado tem substâncias que estimulam a repigmentação da pele.

Paula Resende

Do G1 GO

13/07/2014 14h31

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 Medicamento é elaborado tanto na versão em gel quanto em  comprimido (Foto: Paula Resende/ G1)

 

 A diarista Eva Ferreira da Silva, de 56 anos, tem vitiligo, doença  assintomática, mas que causa sofrimento devido ao preconceito,  inclusive por parte de familiares, por causa da despigmentação da pele. Como ela, cerca de 1% da população mundial tem a doença. Com o objetivo de reverter a consequência da enfermidade, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) buscou no cerrado a planta mama-cadela para formular um novo medicamento que promove a repigmentação da pele, pois o vitiligo não tem cura.

O produto, desenvolvido tanto para uso oral quanto para uso tópico, como gel e creme, está na fase final de elaboração, mas ainda não foi testado em humanos. Iniciada há cinco anos, a pesquisa tem o objetivo de validar cientificamente a utilização caseira da mama-cadela e evitar seu uso indiscriminado. “A planta é muito usada de forma empírica e indiscriminada, seja em forma de chá, com o vinho e diversos outros tipos de preparação. Dependendo da dose pode levar à intoxicação hepática, do fígado, e a queimaduras”, explica o coordenador da pesquisa, professor Edemilson Cardoso da Conceição.

Pacientes confessam que, para combater o avanço do vitiligo, já fizeram receitas caseiras com mama-cadela por recomendação de conhecidos. “Se me mandassem pular no buraco que sarava, eu pulava. Era doida para ser curada. Eu já até queimei a perna com uma creme misturado com mama-cadela”, afirma a diarista Eva.

Outros medicamentos à venda no mercado usam extratos similares ao da mama-cadela, mas são resultantes de síntese química. De acordo com o professor, a diferença é que a nova formulação tem origem natural, à base de extratos retirados da entrecasca da raiz do vegetal.

Além de desenvolver o medicamento, os pesquisadores também se preocupam com a viabilidade agronômica, pois é um trabalho “multidisciplinar”. “O cerrado está sendo destruído de forma indiscriminada e a mama-cadela é uma planta silvestre. Temos que fazer a domesticação com o manejo agronômico para não causar prejuízo ao bioma, explorar o cerrado de forma racional, não destrutiva”, ressaltou Edemilson.

Atualmente, seis pessoas participam da pesquisa farmacêutica da UFG, financiada pelo governo federal. Entre elas está a mestranda Mariana Cristina de Moraes, que também possui vitiligo. “Quando vim fazer o mestrado fui encaminhada para esta pesquisa. Eles não sabiam que eu tinha a doença. É muito gratificante. Trabalho de corpo e alma. Além do título de mestre, tenho a motivação maior de tentar aumentar a qualidade de vida de outros pacientes”, ressalta a farmacêutica.

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Farmacêuticos retiram extratos da entrecasca da raíz da mama-cadela (Foto: Paula Resende/ G1)

 

Trauma

Além de não ter cura, o vitiligo ainda tem causa desconhecida. A dermatologista Lorena Dourado explica que a maior tendência atualmente é considerar a doença como autoimune, ou seja, as células do sistema de defesa do organismo atacam os melanócitos, células produtoras de melanina (pigmento que dá cor à pele), ocasionando a formação de manchas brancas.

Segundo a médica, a maioria dos pacientes desencadeia a despigmentação após um grande trauma. “Quem possui predisposição ao vitiligo geralmente desencadeia ou piora a doença após passar por fator estressante”, explicou a especialista.

 

vitiligo 3Eva conta que sofreu preconceito do ex-marido, em Goiânia, Goiás (Foto: Paula Resende/ G1)

 

Diagnosticada com vitiligo há 15 anos, Eva acredita que a doença se manifestou após ela defender um de seus quatro filhos do ataque de um cachorro. Logo que soube da enfermidade, a diarista teve muita vergonha, tanto que trocou os vestidos e as blusas de alça por camisas de manga longa e calças compridas. Ela chegou a ficar dois anos sem sair de casa. “Eu vejo que as pessoas param para me olhar. Eu chorava muito, queria saber porquê logo eu fui ‘premiada’ com a doença. Meu sonho é voltar a usar um vestido”, afirma.

As manchas chegaram ao rosto dela há cerca de três anos, quando se separou do marido com quem era casada há 26 anos. Com lágrimas nos olhos, ela se recorda ao contar que o ex-companheiro tinha vergonha dela: “Quando voltei a sair, ele inventava mil coisas para não sair comigo. Falei para ele que ele não era obrigado a viver comigo e ele foi embora”.

Preconceito

A modista Maria Selma de Lima, de 65 anos, que também possui vitiligo, confirma que a população ainda é preconceituosa. “É muita desinformação. As pessoas acham que as manchas são pano branco ou até mesmo lepra. No ônibus sempre vejo as pessoas se afastarem. Uma vez uma mulher estava do meu lado e saiu alertando a pessoa que estava com ela sobre as minhas manchas. As pessoas não entendem que vitiligo não é contagioso”, ressalta.

Como Eva, Maria Selma relata que nos primeiros anos que a doença se desenvolveu ela “tentava se esconder” e, inclusive, chegou a comprar base de pele para passar nas manchas. No entanto, ela garante que mudou totalmente de postura. “Agora, evito usar vestido por causa das varizes e não das manchas”, brinca.

Eva e Maria Selma se tornaram amigas após se conhecerem na sala de espera para fazer fototerapia (estímulo pela luz) no Hospital das Clínicas. Desde então, elas compartilham as experiências e as vitórias no tratamento, que é uma das últimas opões para quem sofre com a doença."Aprendemos uma com as outras. As pessoas chegam desiludidas e saem melhor. Ficamos felizes com as conquistas", afirma a modista.

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Eva e Maria Selma compartilham experiências relacionadas à doença (Foto: Paula Resende/ G1)

                    

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